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Mundo na Taça: uma viagem pelo terroir espanhol

Esse post é sobre encontros, sobre vinhos, sobre como experiências podem nos levar pra viajar e sobre sabores que nos remetem a diferentes lugares do mundo.

É também a Espanha, com toques de Uruguai e de Brasil.

Esse post é sobre uma jornalista que ama vinhos (sem o menor conhecimento técnico), que adora conversar e que aprendeu muito sobre o terroir espanhol nessa última semana.

Esse post é sobre o Mundo na Taça, promovido pela Amo Vinho. 🙂

Amo Vinho

A Amo Vinho nasceu por iniciativa da empresária uruguaia (de português impecável) Fabiana Aguinsky. A empresa é uma agência focada em experiências envolvendo a vinicultura.

Eu já estava de olho nos eventos da Amo Vinho há alguns meses, como o Wine Share, um encontro que une networking e gastronomia. Eles também promovem viagens enoturísticas, e eu estou namorando o tour em Mendoza que vai acontecer em novembro.

Amo Vinho fachada

Amo Vinho

Mas o novo projeto da Amo Vinho, que eu tive o prazer de participar, e que tem tudo a ver com esse blog, é o Mundo na Taça. A cada encontro, os presentes embarcam para uma viagem sensorial em algum país produtor de vinho.

A Espanha na Taça

A primeira edição do Mundo na Taça, que aconteceu no dia 9 de outubro, viajou pela Espanha. Em parceria com a Grand Cru, o encontro contou com a presença do sommelier Rodrigo Nunes, que falou sobre cada vinho degustado.

Também contamos com o amplo conhecimento da Fabiana, que trabalha há cerca de 30 anos com o mundo do vinho e que, junto do Rodrigo, nos deu uma aula sobre as regiões de Ribera Del Quero e La Rioja.

Recepção

Como é para você chegar em um lugar onde não conhece ninguém?

Até um ano atrás, isso era uma situação complicadíssima pra mim.

O blog me ajudou nisso. Aprendi que quando eu chego nos lugares e puxo assunto com as pessoas, eu tiro o melhor das viagens e experiências: os encontros, as histórias. Então, de uns tempos pra cá, eu perdi a vergonha e até tenho gostado disso. Se eu não conheço ninguém, eu me solto e faço novas amizades.

Cheguei na Cardamomo Enogastronomia (local em que acontecem os encontros da Amo Vinho, no bairro Três Figueiras), e fui recebida com um sorrisão pela querida Fabiana.

Já havia lá algumas pessoas conversando, e todo mundo que chegava se cumprimentava como se já se conhecesse há algum tempo.

A Fabiana me contou que esse é um dos desafios da casa: trazer mais pessoas para esse grupo lindo que se formou. Pessoas que gostem de vinho e que sejam abertas para novas experiências.

Se eu posso te dar um conselho aqui, é esse: se você encontrou algum curso, evento ou jantar que quer ir, mas está em dúvida porque não tem companhia, perca a vergonha. Não existe nada melhor do que conversar e fazer novas amizades em torno de uma mesa farta ou de tacinhas de vinho.

Bem, além do sorrisão da Fabi, também fomos recebidos com uma linda mesa de queijos, charcutaria, pães, geleias e frutas, para harmonizar com os vinhos que seriam degustados durante a noite.

Mesa-Amo-Vinho.jpg

Espanha na Taça | Mesa de queijos e frios

A bebida de boas-vindas foi a Cava Moltó Negre, produzida na região de Villafranca del Penedés, elaborada a partir da uva tinta Trepat.

Espanha na Taça Cava Molto Negre

Espanha na Taça | Cava Moltó Negre

A definição de Terroir

Após uma leve apresentação, a primeira parte do encontro contou com a participação do enólogo e winemaker espanhol, José Sanchez Caminero, que falou um pouco do terroir espanhol (via Skype).

José Sanchez Caminero Skype

Espanha na Taça | José Sanchez Caminero

Você sabe o que é terroir? Eu aprendi direitinho, e vou te contar!

Terroir é uma mistura de clima + solo + altitude + vento + umidade. Assim, cada local do mundo tem o seu terroir próprio, e o vinho é resultado de todo esse conjunto.

Achei super interessante essa definição apresentada em um slide:

Terroir = mãe / Técnicas de vinificação + enólogo = pai

Segundo Fabiana, cada país tem muitos terroirs e a mesma uva não tem o mesmo resultado de norte a sul. “Quando experimentamos um vinho que não gostamos temos o hábito de riscá-lo do nosso caderninho. Isso, ao meu ver, é tão injusto que condenamos o rótulo por vida, deixamos de dar uma segunda chance a próxima safra que poderá ser bem diferente e podemos mudar essa opinião”, destaca.

O terroir espanhol

Após a conversa com Caminero, a palavra passou para a Fabiana e para o sommelier Rodrigo, que iniciaram a explicação sobre o terroir espanhol.

Proporcionalmente, a Espanha é o país com a maior área de vinhedos em todo o mundo, com mais de um milhão de hectares cultivados.

Espanha na Taça

Espanha na Taça | O terroir espanhol

Também aprendemos sobre a pirâmide de classificação dos vinhos espanhóis, que vai dos jóvenes > reserva > gran reserva > premium > icono.

E se tratando de qualificação, os vinhos podem ser: vino de mesa, vino de la Tierra, IGP (Indicação Geográfica Protegida), DO (Denominação de Origem), DOCa (Denominação de Origem Qualificada) e Pago.

Para ser considerado um Vinho de Pago, a bebida deve cumprir alguns quesitos, como ser oriunda de pequenas propriedades familiares (o dono deve estar à frente da vinícola), a vindima deve ser manual, os barris devem ser de carvalho francês, entre outros.

Espanha na Taça | Fabiana Aguinsky

Espanha na Taça | Fabiana Aguinsky

A Espanha possui cerca de 70 regiões com qualificação de Denominação de Origem, e durante o encontro aprendemos mais sobre duas delas: Ribera Del Duero e La Rioja.

Ribera del Duero

O primeiro vinho degustado foi o Milcampos Viejas (2015), da região de Ribera Del Duero, feito com a uva Tempranillo.

A Tempranillo é a variedade de maior destaque no país, representando 78% da produção das uvas tintas. A segunda uva mais cultivada é a Garnacha, com 8%, e a terceira posição tem um empate entre Graciano e Mazuelo (encontrada também como Carignan), com 2%. Entre as brancas, a Viura (também conhecida como Macabeo) detém 70% dos vinhedos.

Espanha na Taça Milcampos

Espanha na Taça | Milcampos, de Ribera Del Duero

Ribera Del Quero é uma das regiões viníferas mais famosas da Espanha. Ela está localizada no norte do país, em Castilla y León, a cerca de 160 km de Madrid. 

Ribera del Duero possui cerca de 123 km de extensão, em quatro províncias: Burgos, Valladolid, Soria e Segovia. Seu nome faz referência ao rio Duero, que também percorre algumas regiões de Portugal, onde é chamado de Douro.

Espanha na Taça

Espanha na Taça | Milcampos, de Ribera del Duero

Em seguida, degustamos o vinho Embocadero (2015), também da região de Ribera Del Duero. Elaborado com uvas Tempranillo, esse foi o meu favorito da noite. O vinho Embocadero Ribera del Duero é um vinho de guarda, que passa por envelhecimento de 12 meses em barril de carvalho americano e francês.

Espanha na Taça Embocadero

Espanha na Taça | Embocadero, de Ribera del Duero

A oficializaçao da Denominação de Origem de Ribera del Duero aconteceu em 1982, mas a trajetória vitivinícola da região existe há mais de 2 mil anos.

Entre uma região e outra, uma pausa para uma bruschettinha e para um comentário: eu tenho frequentado diversos eventos como esse, que se propõe a ser encontros gastronômicos com palestras ou bate-papos sobre algum assunto.

Mas esse encontro me surpreendeu muito pela profundidade do conteúdo, sem perder o tom descontraído de conversa. Muy bueno!

Bruschetta Espanha na Taça

Espanha na Taça | Bruschettas

La Rioja

Em seguida chegamos à região de La Rioja.

Também localizada no norte da Espanha, La Rioja recebeu, em 1925, a primeira Denominação de Origem do país.

Foi a vez de experimentar o vinho Zuazo Gaston Finca Costanillas (2016), dessa mesma região.

Finca Costanillas

Espanha na Taça | Zuazo Gaston Finca Costanillas, de La Rioja

O clima é mediterrâneo e atlântico, caracterizado por temperaturas amenas e precipitação regular, o que dá condições ideais para cultivar diferentes tipos de uvas. As variedades autorizadas pela “Denominación de Origen Calificada Rioja” são:

Tintos: Tempranillo, Garnacha, Graciano, Mazuelo, Carignan, Maturana tinta, Maturana e Monastrell.

Brancos: Viura, Malvasía, White Grenache (Garnacha Branca), Chardonnay, Sauvignon Blanc, Verdejo, Maturana White, Tempranillo Blanco e Turruntés.

Espanha na Taça | Zuazo Gaston Finca Costanillas, de La Rioja

Espanha na Taça | Zuazo Gaston Finca Costanillas, de La Rioja

E, por fim, degustamos o Heras Cordón Vendimia Seleccionada (2015), uma mescla das uvas Tempranillo, Mazuelo e Graciano.

Heras Cordon

Espanha na Taça | Heras Cordón Vendimia Seleccionada, de La Rioja

Heras Cordon

Espanha na Taça | Heras Cordón Vendimia Seleccionada, de La Rioja

O encontro foi finalizado com um arroz doce que estava absolutamente delicioso. Ou melhor: Arroz con Leche. (Estamos na Espanha, lembram? 🙂 )

Arroz con Leche

Espanha na Taça | Arroz con Leche

Detalhe para o doce de leite uruguaio, que deu um toque especial à receita.

Um dos aprendizados da noite: vou passar a colocar doce de leite no arroz doce pro resto na vida!

Uma das confissões do post: estou comendo arroz doce com doce de leite enquanto escrevo esse texto. (Feliz de quem volta de Punta Del Diablo com Conaprole na mala!)

Arroz con leche

Espanha na Taça | Arroz con Leche

Conversas sobre a Espanha, sobre terroir e sobre gastronomia. Novas conexões, queijos uruguaios e frutas vermelhas.

A jornalista que ama vinhos saiu um pouquinho menos leiga desse encontro, e ainda mais apaixonada pelo mundo dos vinhos.

 

Serviço:

Mundo na Taça
Endereço: Cardamomo Enogastronomia ( Rua Matias José Bins nº 266 – bairro Três Figueiras)
Valor: R$ 150 por pessoa
Para ficar sabendo sobre os próximos eventos, siga o Instagram da Amo Vinho.

 

* A experiência Mundo na Taça foi feita a convite da Gengibre.cc.

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