Belém, Comida, Destinos no Brasil, Gastronomia
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Cozinhar é um ato revolucionário no Iacitatá

Algumas semanas antes de viajarmos para Belém, o “Tempero de Família”, do GNT, apresentou uma série de episódios sobre a cidade.

Uma cena do programa me chamou muito a atenção: uma moça defendia que era muito estranho que os próprios brasileiros chamassem a comida amazônica de “exótica”. “Exótico não é o que é daqui, exótico é o que vem de fora”, salientou Tainá Marajoara, dona do Iacitatá.

Achei isso muito forte e bonito quando ouvi, me marcou pra sempre. Nunca mais usei a palavra “exótico” em vão! 🙂

iacitata taina marajoara

Tainá Marajoara | Foto: divulgação

Tainá já rodou o mundo falando sobre os ingredientes da Amazônia, é conselheira nacional de cultura alimentar e ativista de direitos humanos.

Iacitatá: cultura alimentar e sociobiodiversidade

O Iacitatá se define como “um espaço de circulação da produção da cultura alimentar e produtos da sociobiodiversidade”. O restaurante investe em uma cozinha criativa, cultural e saudável para as pessoas e para o planeta.

Foram a Tainá e o Carlos Ruffel, seu companheiro e também cozinheiro da casa, que nos receberam lá.

Almoçar no Iacitatá é uma aula! A Tainá explicou a origem de cada prato que nos serviu, falou os nomes dos produtores responsáveis pelos ingredientes e também contou com orgulho que não servia nada industrializado, nem com agrotóxicos.

Ah… e além de comida saudável e correta, tudo era muuuuuito gostoso!

Vem ver como foi!

O almoço no Iacitatá

Começamos com o Pavulagem: pão de abaeté com queijo do Marajó e tacacarana (jambu, chicória, alfavaca e tucupi).

O pão era uma delícia, feito na casa, e o tacacarana era como pesto do amazonas. E o queijo do Marajó derretido… bom demais!

Pavulagem Iacitatá

Pavulagem

Depois pedimos um Guereré: caldo de tucupi, jambu, chicória, alfavaca e cipó d’álho fervido com carcaça de peixe.

O sabor era muito parecido com o do tacacá, mas não tinha os camarões secos e nem a goma. Tucupi é vidaaa!

Guereré Iacitatá

Guereré

Alimentação típica dos vaqueiros dos campos do marajó: esse é o Frito do Vaqueiro – carne de búfalo preparada na própria banha, só com sal.

Tão bom comer um prato assim, cheio de história! (Ainda mais acompanhado da farofinha feita com as maravilhosas farinhas de Belém!)

Frito do vaqueiro Iacitatá

Frito do Vaqueiro

O porco defumado pelas mulheres da Colônia Chicano* veio acompanhado de lundu (arroz e feijão com linguiça Chicano), e micau (banana cozida e amassada tipo purê).

*A Colônia Chicano é uma comunidade localizada a cerca de 50 km de Belém, e se estrutura em torno da comercialização dos ingredientes que produzem e de criações culinárias que valorizam a identidade cultural da região.

Na saladinha, provei pela primeira vez a fruta pupunha (é essa amarelinha!). Muito doce e macia.

Provar esse misto de sabores foi uma baita experiência!

Porco defumado Iacitatá

Porco defumado

E finalmente ela: a maniçoba!

A gente já tinha comido bolinho e linguiça de maniçoba, mas ainda não tínhamos provado o prato em si. O que eu tenho para dizer para você é: escolhemos o melhor lugar para isso!

No Iacitatá, a maniçoba é feita com técnicas ancestrais, em parceria com a Colônia Chicano. As carnes de porco são moqueadas e defumadas em talos de muruci, taperebá e canela, em seguida cozidas à lenha com folhas de mandioca (maniva) durante 7 dias.

Tava maaaaravilhosa! Foi o meu prato favorito do dia!

Maniçona Iacitatá

Maniçoba

De sobremesa, um delicioso bolinho de chocolate sem glúten. Puro sabor de cacau amazônico!

Bolo de chocolate Iacitatá

Bolo de chocolate

Ah, o espaço também vende alimentos de produtores da região. Você encontra lá farinhas, chocolates, arroz biodinâmico, entre outras coisinhas.

Enfim, foi uma experiência única, com comida de verdade, bem feita, com origem sustentável e local, e de muita qualidade.

No Iacitatá, cozinhar é um ato revolucionário! ❤️

 

Serviço:

Iacitatá Centro de Cultura Alimentar
Endereço
: Praça Frei Caetano Brandão, esquina com a rua Siqueira Mendes. Cidade Velha – Belém.
Funcionamento: de segunda a sexta, das 12h às 15h, e aos sábados das 9h às 17h.
https://www.facebook.com/iacitata/

 

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