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Marrakech: aprendendo culinária marroquina em uma fazenda orgânica

Como contei nesse post, workshops de gastronomia são a minha mais nova paixão em viagens. É uma maneira de ter um contato mais íntimo com a culinária local e também uma oportunidade de aprender a reproduzir em casa os pratos que tanto amamos conhecer.

Pesquisando sobre os workshops disponíveis em Marrakech (são muitos!), descobri o ateliê do Chef Tarik Harabida. O curso é realizado em uma fazenda orgânica, localizada em um pequeno vilarejo a cerca de 30 km do centro da cidade.

O chef Tarik tem 27 anos de experiência em cozinha e é um dos embaixadores da Bio Kitchen, que preza pelos ingredientes orgânicos. Depois de alguns anos viajando pelo mundo, Tarik voltou à Marrakech para com o objetivo de explorar a gastronomia marroquina e de criar uma cozinha-escola em sua propriedade.

Não foi o Tarik que ministrou o workshop (infelizmente não chegamos a conhecê-lo), foram os queridos cozinheiros Youssef e Siham que nos receberam e nos ensinaram muito sobre a cultura gastronômica do Marrocos.

“Cerimônia de abertura”

O workshop acontece em uma tenda no meio do jardim, uma estrutura montada especialmente para essas atividades.

Fomos recebidos com o tradicional chá de hortelã – a bebida mais consumida do país. Nesse momento inicial, aprendemos que o chá para os marroquinos também é uma cerimônia, um momento de conversa, de troca de experiências, uma tradição que demonstra hospitalidade.

Eu sou apaixonada por chá e bebo regularmente, mas foi bem diferente dessa vez, quando vi todo um significado por trás dessa infusão de ervas, um ritual transmitido de geração para geração. Quando um alimento ou bebida conta uma história, se torna ainda mais especial, né? 🙂

Chá

Mesmo tendo nascido no maior produtor mundial de açúcar, foi no Marrocos que conheci o “pão de açúcar” (sugar loaf), que deu origem ao nome de um dos símbolos do Rio de Janeiro.

O Youssef nos contou que essa escultura de açúcar em forma de cone antigamente era oferecida como o dote da noiva no Marrocos.

Sugar loaf

Em seguida, o Youssef nos apresentou as principais especiarias utilizadas na gastronomia marroquina: pimenta do reino, gengibre em pó, cominho, açafrão da terra, Ras-El-Hanut (falei mais sobre o tempero nesse post), canela, páprica e sal.

temperos

Após essa conversa inicial, que ainda contou com a apresentação de cada participante, seguimos para colocar a mão na massa.

O workshop de culinária marroquina

Nesse momento o Youssef saiu de cena e quem nos acompanhou no preparo dos alimentos foi a Siham.

Começamos picando os legumes para as saladas e montando os tajines*, que em seguida iriam para o fogo. Todos os alunos tiveram tarefas o tempo inteiro, tudo foi feito “do zero”.

* Tajine é o nome dos pratos tradicionais do Marrocos cozidos na panela de barro de mesmo nome. Podem ser feitos de legumes ou carnes. 

cozinhando_2

Montamos tajines de frango com limão confitado, de cordeiro e de legumes. Depois que foram para o fogo, de vez em quando abríamos a panela, que tem essa tampa oval (na foto abaixo) para mexer as carnes.

A tajine (panela) resiste a altas temperaturas e o seu formato permite a circulação do vapor dentro do recipiente, que auxilia no cozimento dos ingredientes.

Cozinhando

Em seguida iniciamos o preparo do cuscuz e foi ali que tive uma das maiores dicas DA VIDA!

Bem, eu sou apaixonada por cuscuz marroquino, esse grãozinho de sêmola é um dos meus ingredientes favoritos! Faço frequentemente lá em casa, mas ele sempre “empapa”.

Então a Siham nos ensinou o segredo do cuscuz soltinho: espalhar azeite nele, enquanto ainda está cru, e massagear os grãos. Boa, hein?

Cuscuz azeite

Depois de “azeitar” o cuscuz, hidratamos o grão com água e levamos para o fogo para finalizar o cozimento com uma técnica ancestral: fechando a panela com uma mistura de farinha e água.

Panelas

Quando todos os pratos estavam “encaminhados”, a Siham nos chamou para um passeio pela fazenda.

Conhecemos a horta orgânica, os animais e até a cozinha montada onde são realizados os cursos regulares.

Degustando e aprendendo a fazer o pão berbere

Guiados pela Siham, chegamos a um local que foi a grande surpresa do dia: era o momento de experimentar e aprender a fazer o pão berbère.

Padeira

O pão quentinho, recém saído do forno de barro, foi servido com queijo de cabra, mel, azeite e uma pastinha de amendoim e gergelim. Delícia!

mesa para pães

Depois da degustação, a padeira que infelizmente não anotei o nome (shame on me) nos ensinou a fazer o pão, feito apenas com farinha, semolina e água.

Panificação

Ahhh, eu sou apaixonada pela panificação! ❤️

O nosso banquete marroquino

Quando voltamos para a tenda das comidas, mais uma surpresa: a mesa já estava montada nos esperando.

Além dos tajines que comentei antes, fizemos saladas de cenoura, pimentão e tomate e abobrinha, cada uma temperada com uma especiaria diferente.

Tudo bom demaaaaaaais!

Mesa montada

O Youssef e a Siham nos contaram que a fazenda do chef Tarik promove um importante trabalho social: as meninas da região tem aulas de gastronomia gratuitas e trabalham por lá após terminar o colégio, enquanto não se casam (uma pena o país ainda ser tão machista e continuar dando uma importância tão grande ao casamento, mas enfim…).

E foi esse grupo de meninas que fez a terceira surpresa do dia: elas cozinharam a nossa sobremesa!

Era uma gelatina de abacaxi com iogurte e farofa de chocolate, acompanhada de uma banana assada com uva passa e especiarias – a melhor sobremesa que comemos no Marrocos!

Sobremesa

“Cerimônia de encerramento”

Quando estávamos todos satisfeitos e felizes com o dia maravilhoso que passamos por lá, aconteceu mais uma cerimônia do chá.

Nesse momento, fomos convidados a contar como foi para cada um participar do curso e aprendemos que não é só de chá de hortelã que vive o Marrocos. Dessa vez, a bebida foi feita com uma infusão de ervas aromáticas e digestivas.

chá_2

E pra coroar a experiência: ganhamos um certificado simbólico! Achei muito fofo esse carinho, que foi ideia de uma das meninas que trabalhavam por lá.

Certificados

Enfim, foi um dia cheio de surpresas, de histórias e de comida autêntica e maravilhosa.

Essa foi, de longe, a melhor experiência que vivemos no Marrocos.

Eu e o forno

Você já fez algum workshop gastronômico em uma viagem? Me conta nos comentários como foi! 🙂

 

Serviço:

O workshop do Chef Tarik está disponível para agendamento no setor de “Experiências” do Airbnb, nesse link.
O curso é feito em inglês e tem duração de 4 a 5 horas.
Custa cerca de R$ 165 por pessoa (dependendo do câmbio). No valor está incluso o transporte de Marrakech até a propriedade.
Mais informações: http://www.atelier-chef-tarik.com/

 

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