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Um tour gastronômico pelos clássicos do Centro Histórico de Porto Alegre

Esse é um dos posts que eu mais queria escrever desde que criei o blog!

Primeiro, porque eu amo o Centro Histórico de Porto Alegre – bairro em que eu morei por sete anos.

Segundo, porque eu curto muito ir nesses restaurantes e bares super antigos, que resistem ao tempo e passam de geração em geração.

E terceiro porque nessa lista estão lugares que fizeram parte da minha infância, que me acompanharam no início da vida adulta e que sigo frequentando.

Para organizar o post como um tour gastronômico possível de ser cumprido em um dia ou dois, escolhi uma comida-símbolo que representa cada um dos clássicos.

Bora iniciar esse passeio!

Farroupilha na Confeitaria Matheus (desde 1947)

A Confeitaria Matheus é parada obrigatória para muitos trabalhadores e moradores do Centro de Porto Alegre – ela está localizada no “miolo” da avenida Borges de Medeiros.

Fundada em 1947, o local atravessou décadas produzindo mais de 300 itens de confeitaria, padaria, lanches, cafés e biscoitos.

A grande pedida das manhãs dos clientes da Matheus é o Farroupilha – sanduíche de pão francês (ou, para os gaúchos, cacetinho), com queijo e presunto, que pode ser prensado ou não.

Você pode pensar que “ah, isso é muito simples”, mas o Farroupilha é feito sempre com um pão suuuuper novinho e com bastante queijo. É simples, sim! Mas é o simples bem feito, um sanduíche que conforta. 😋

Não é à toa que a padaria vende cerca de 300 Farroupilhas por dia!

Farroupilha

Endereço: Avenida Borges de Medeiros, nº 421.

Cachorro-quente da Confeitaria Princesa (desde 1960)

Eleito por diversas vezes pela Veja Comer&Beber como o melhor cachorro-quente da cidade, o doguinho da Princesa é um patrimônio de Porto Alegre.

O pãozinho caseiro, feito diariamente, é entregue quentinho. As receitas do molho e da mostarda são mantidas em segredo, não importa o quão insistente você seja em pedir.

Ele é pequeno, sim, mas alimenta muito bem aquela sensação de ter comido algo único e especial.

Para cumprir o programa tradicional da casa, o ideal é sentar no balcão e pedir uma guaraná caçulinha pra acompanhar o lanche. Quem prova uma vez, vira cliente fiel.

Cachorro-quente Princesa

Endereço: Rua dos Andradas, nº 1812.

Canja no Café Haiti (desde 1955)

Nas paredes do Haiti você vê a história do café mais antigo da cidade estampada em diversas imagens dos primeiros anos do estabelecimento.

O Haiti foi um dos primeiros locais em Porto Alegre a adotar o “sistema de atendimento expresso” – muito rápido e eficiente. Após passar por uma roleta, os clientes podem sentar-se em balcões em formato de U – a marca registrada da casa.

O Haiti serve lanches, doces e pratos feitos, mas a opção mais famosa do menu, que cativou o público, é a canja de galinha.

Eu sou apaixonada por canja, e essa é realmente muito especial – e também muito bem servida em uma singela cumbuca de metal. A casa não economiza na quantidade de frango e oferece um pão francês novinho pra acompanhar a sopa.

Pra mim, a canja do Haiti é a melhor pedida do inverno ou dias chuvosos na capital.

Outras curiosidades: a família proprietária do Café Haiti também fundou a Confeitaria Paris (outro clássico da cidade, na rua Riachuelo) e criou o tradicional biscoito Plic Plac – mas ambos não são mais administrados/produzidos por eles.

Canja Café Haiti

Endereço: Avenida Otávio Rocha, nº 151.

Bolinho de bacalhau no Naval (desde 1907)

Instituição na cidade, o Naval compôs o cenário boêmio do centro da cidade dos anos 60 a 90, e tornou-se ponto obrigatório de músicos e personalidades, como Lupicínio Rodrigues e Glênio Peres.

A casa mantém a tradição do excelente bolinho de bacalhau e do chopp, bem como a do “violento mocotó”. O cardápio também conta com frutos do mar (o risoto de camarão também é um clássico) e pratos de inspiração portuguesa.

Reformado recentemente, o restaurante ganhou um ambiente mais elegante, sem esquecer do passado, mantendo presas à parede fotos dos antigos frequentadores e objetos que contam a sua história.

Bolinho de Bacalhau Naval

Endereço: Mercado Público Central – lojas 91 e 93.

Bacalhau à Gomes de Sá no Gambrinus (desde 1889)

Clássico dos clássicos, o Gambrinus é o restaurante mais antigo da capital gaúcha. A inspiração do nome e do personagem-símbolo da casa vem do lendário patrono não-oficial da cerveja, Gambrinus.

O “Bar-Chope” resistiu ao tempo e às trocas de administração. Fundado por imigrantes alemães, passou pela gestão de italianos e, em 1964, foi vendido ao português Antônio Dias de Melo e seus irmãos, que passaram a abrir o estabelecimento durante o dia, como restaurante. Atualmente o local é administrado por Nadjia Melo e João Melo, membros da família lusitana.

O cardápio inclui frutos do mar, culinária portuguesa e filés. Se você for até lá, a dica é: opte pelo Bacalhau à Gomes de Sá e pelo bolinho de bacalhau. Ah, e peça também pra dar uma olhada no livro que conta a história da casa, feito com documentos históricos e matérias de jornal.

Bacalhau Gomes de Sá - Gambrinus

Endereço: Mercado Público Central, loja 85.

Bomba Royal na Banca 40 (desde 1927)

Quando eu era criança às vezes eu ia “passear no Centro” com a minha mãe. Fazíamos o combo jogar migalhas de pão para as pombas da praça em frente à prefeitura + uma taça de sorvete na Banca 40.

Dificilmente algum lugar ou sabor que você provou na infância continua o mesmo com o passar dos tempos. O cenário da Banca 40 mudou, e muito. Antigamente ela ficava em uma loja lateral no Mercado Público, e hoje ela brilha na área central.

Mas o sabor… é exatamente o mesmo!

Banca 40 me lembra afeto. ❤️

O clássico da casa: Bomba Royal – três sabores de sorvete e a deliciosa nata batida. Prove também a salada de frutas com nata, a salada de frutas com sorvete, o tropical, a banana split… tudo lá é tão bom e tão infância!

Bomba Royal

Endereço: Mercado Público Central – bancas G, H e I.

Chopp no Tuim (desde 1941)

Se você fizer esse tour em um dia só, o Tuim é o lugar pra encerrar o ciclo com um chopp gelado! O boteco mais tradicional da cidade iniciou suas atividades na Rua Uruguai, mas se mudou para o atual endereço na “rua da Ladeira” em 1958.

Em 2011, ganhou um deck na calçada, mas apesar da “modernização do ambiente”, ainda segue com a escolha de não oferecer wi-fi aos clientes.

Tuim é lugar de chopp gelado e boa conversa à moda antiga.

Tuim

Endereço: Rua General Câmara, nº 333.

Quer mais dicas de onde comer bem em Porto Alegre? Clica aqui pra ler o post com os meus restaurantes de cozinha internacional favoritos! 😉

 

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