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Quinze doces que você precisa comer em Portugal

Acabei de voltar de uma super viagem, onde conheci algumas cidades de Portugal e fiquei completamente apaixonada pelo país. O acolhimento dos portugueses, a arquitetura e, principalmente, a gastronomia local me encantaram!

Eu comi muito bem em Portugal, gente. E, além de bacalhau, caldo verde e francesinha do Porto, fiz algo que já está virando uma tradição nas minhas viagens: um tour de  confeitarias! (Se você se interessa pelo assunto, clique aqui para ver o roteiro de Paris, e aqui para o guia açucarado de Orlando.)

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Bem faceira com meu Pastel de Belém

Os doces conventuais

A confeitaria portuguesa tem uma larga tradição de doces conventuais, originados em conventos e mosteiros do país. Esses doces têm como ingredientes principais a gema de ovo, o açúcar e a amêndoa, em suas mais variadas combinações.

É muito interessante passear pelas confeitarias e ver como três ingredientes se transformam em doces tão distintos.

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Pingo de Tocha

E sabe por que a gema é tão utilizada nessas iguarias?

Antigamente as claras de ovos eram utilizadas para engomar as roupas dos homens mais ricos e os hábitos dos padres. Então, com as gemas que sobravam, surgiram os doces.

São receitas que possuem um passado, que contam histórias. Algumas delas são tão tradicionais que só podem ser produzidas em uma específica localidade, para que a receita original não sofra alterações.

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Ovos Moles de Aveiro

Então vamos passar ao banho de açúcar?

Ah, antes de mais nada, eu só quero dizer que sei que existem outros milhares de doces de Portugal que não estão nessa lista. Em cada confeitaria que fui só escolhi alguns para provar, mas as vitrines eram cheias de iguarias que davam água na boca e encantavam visualmente. Tipo isso:

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Passarinhos

Eu queria muito ter ainda mais dias por lá pra comer mais doces. Mas, por enquanto, essa é a minha listinha de destaques. Aproveitem! 🙂

1 – Pastel de Nata/ Pastel de Belém

O mais tradicional, o mais imperdível: o Pastel de Nata é a cara da confeitaria portuguesa! O doce é uma “panelinha” de massa folhada, recheada com um creme que não deve ser muito doce.

Eu já tinha comido o doce no Brasil, mas nem se compara do que é comer por lá. Como a demanda é grande, os pasteis estão sempre quentinhos, estalando crocância!

Existem diversas casas especializadas no doce, e até uma competição, que define anualmente qual é o melhor pastel de nata da cidade. Em 2019, a vencedora foi a pastelaria Santo Antonio. Olha que lindo esse folheado:

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Pastel de Nata

O doce também é conhecido em alguns lugares como Pastel de Belém, mas o verdadeiro Pastel de Belém só pode ser degustado na Fábrica dos Pasteis de Belém de Lisboa, próxima ao Mosteiro dos Jerónimos, onde foi criado. A produção dos pastéis começou em 1837 e a receita é a mesma até os dias de hoje.

Onde comer: Pastelaria Santo Antônio (Rua Milagre de Santo António, nº10 – Lisboa); Pastéis de Belém (Rua de Belém, nº 84-92 – Lisboa); e Pastelaria Batalha – a nossa favorita (Rua Horta Seca, nº 1 – Lisboa).

Para ler o post específico sobre os Pastéis de Nata de Lisboa, clique aqui. 😉

2 – Pudim Abade de Priscos

O pudim Abade de Priscos é um doce típico de Braga, e tem um ingrediente muito particular: o toucinho!

O doce leva esse nome porque foi criado pelo monge Manuel Joaquim Machado Rebelo – o Abade de Priscos, famoso por seus dotes culinários.

O pudim tem uma consistência muito delicada, bastante lisa, e se “desfaz na boca”. Ele é bem semelhante à parte de cima do quindim, mas a calda tem um sabor que lembra o defumado. Eu gostei muito!

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Pudim Abade de Priscos

Onde comer: Casa dos Ovos Moles (Endereço: Calçada da Estrela 142 – Lisboa).

3 – Trouxas de Ovos

Esses rolinhos amarelos brilhantes mergulhados em calda de açúcar também são legados da doçaria conventual, existindo diferentes receitas nas diversas regiões de Portugal.

Eu sou apaixonada por fios de ovos e as trouxas de ovos me lembraram muito essa preparação. Mas, em vez de fios, as trouxas de ovos eram formadas por finas “pétalas”, com aquele mesmo sabor maravilhoso. Ai, que delícia!

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Trouxas de Ovos

Onde comer: Casa dos Ovos Moles (Endereço: Calçada da Estrela 142 – Lisboa).

4 – Pudim de São Bernardo

Quem aí ama quindim? Eu tenho uma confissão a fazer: eu sou apaixonada pela parte de cima do quindim, mas não curto a parte de baixo com todo aquele coco. Então, sempre que quero comer esse doce, fico com toda a parte amarelinha, e dou para alguém a base – geralmente meu pai ou o Vinícius.

Pois bem, eu sempre disse que se existisse um quindim sem coco, esse seria o doce perfeito. Amigos, fico feliz em informar que esse doce existe: é o Pudim de São Bernardo! 🙂

Esse doce, típico da região de Leiria, tem aquele sabor intenso e doce, é uma explosão de açúcar e gemas, e me fez muito feliz. Não deixe de experimentar!

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Pudim de São Bernardo

Onde comer: Pastelaria Alcôa (Endereço: Rua Garrett 37 – Lisboa).

5 – Cornucópia

Foi na cidade histórica de Alcobaça (região central de Portugal) que foram criadas as Cornucópias, um cone açucarado e crocante, recheado de doce de ovos.

Nas festas de aniversário da minha infância sempre existiam cones crocantes como esse, mas eles eram salgados e recheados com guizadinho ou salada de maionese (também tinha isso nas festinhas que vocês frequentavam?). Pois bem, essa é a versão portuguesa-maravilhosa do quitute. Recheada, claro, com doce de ovos.

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Cornucópia

Onde comer: Pastelaria Alcôa (Endereço: Rua Garrett 37 – Lisboa).

6 – Pastel de feijão

Sempre que comento do Pastel de Feijão recebo alguns olhares tortos. Aqui no Brasil não estamos acostumados a ver esse ingrediente em receitas doces, então também fiquei surpresa quando conheci essa receita.

O doce é oriundo da região de Torres Vedras, e por lá o assunto é coisa séria: assim como o pastel de nata em Lisboa, existe um concurso anual para decidir qual é o melhor pastel da cidade.

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Pastel de feijão

Ao experimentar o doce, descobri que o feijão (branco) é utilizado apenas para dar a textura da massa, que na realidade tem um delicioso sabor de amêndoas. Abaixo, a foto de como a massa é por dentro, super molhadinha. Bom demais!

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Pastel de feijão

Onde comer: Pastelaria Corôa (Endereço: Praça 25 de Abril Nº 11 – Torres Vedras), Pastelaria Batalha (Endereço: Rua Horta Seca, nº 1 – Lisboa).

7 – Salame de chocolate

Quando eu era criança eu encontrei a receita de salame de chocolate em uma revistinha de receitas perdida lá em casa e pedi pra minha mãe para fazermos juntas. Eu gostei tanto do resultado, que durante um período da vida sempre tinha salame de chocolate na nossa geladeira. E um dia perdemos a receita.

Eu passei muito tempo lembrando daquele doce e triste por não sabermos mais como chegar naquele resultado (lembrem-se, na época não existia Google). Foi só depois de adulta que descobri que o salame de chocolate é uma receita típica portuguesa, e eu fiquei ansiosa pra comer o doce por lá.

Esse doce de chocolate com pedacinhos de bolacha que lembram as gordurinhas de um salame italiano é uma verdadeira delícia e faz parte da minha história culinária. Em Portugal ele está por todos os lados, em mercados, pastelarias e como sobremesa de restaurantes.

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Salame de chocolate

Onde comer: A Padaria Portuguesa (Diversos endereços em Lisboa).

8 – Bola de Berlin

Dessa lista, esse foi o único doce que eu não comi! Mas como é um clássico, ele não poderia faltar nessa lista. Por isso, convidei a minha amiga Amanda Jacobus (autora do blog Livres&Selvagens), que estava em Lisboa na mesma época que eu e comeu o doce, pra dar o seu review. Segue abaixo:

“Fui até A Padaria Portuguesa tomar café da manhã, como uma verdadeira Lisboeta. Ao analisar a vitrine cheia de pães, croissants e doces, me deparei com um bolinho redondo, doce e açucarado, super recheado de creme. A Bola de Berlim tem origem na Alemanha e chegou à Portugal durante a 2ª Guerra Mundial. Algumas das famílias que fugiam da guerra trouxeram a receita do bolinho, que na Alemanha é chamado de “Berlinesa”. Quase um Sonho brasileiro, a BOLA, como chamam hoje, tem mais recheio e é mais doce que a nossa receita, por incrível que pareça! A massa também é mais macia, na minha visão. O creme é bem homogêneo, sem grumos. Acompanhado por um Garoto (carioquinha com espuma de leite) acho ótima pedida!”

Bola de Berlin

Bola de Berlin | Foto: Amanda Jacobus

Onde comer: A Padaria Portuguesa (Diversos endereços em Lisboa).

9 – Ovos Moles de Aveiro

Aveiro entrou em nosso roteiro simplesmente porque eu precisava provar os Ovos Moles de Aveiro “In Loco”. O doce foi primeiro produto nacional de doçaria a obter a distinção “Indicação Geográfica Protegida”.

Os Ovos Moles são feitos com a mesma massa da hóstia, que é moldada em diversas formas de elementos marinhos, como peixinhos e conchas. E, por dentro, um maravilhoso doce de ovos moles.

Apesar da simplicidade da receita, comemos em três lugares diferentes e em cada um deles o sabor ou textura era diferente. Por isso recomendo que, se você estiver em Aveiro, faça uma “coleta de conchinhas” pelas confeitarias. Garanto que vai se surpreender!

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Ovos Moles de Aveiro

Onde comer: Confeitaria Peixinho (Rua de Coimbra, nº 9 – Aveiro); Pastelaria Rossio (Rua João Mendonça, nº 16 – Aveiro); e Casa dos Ovos Moles (Endereço: Calçada da Estrela 142 – Lisboa).

Para saber mais sobre os Ovos Moles de Aveiro, clique aqui. 😉

10 – Papo de Anjo de Amarante

Leu Papo de Anjo e pensou naquelas rodelinhas amarelas imersas em uma calda de açúcar? Esse é outro papo! Para mim, o Papo de Anjo de Amarante é uma versão muito mais gostosa.

Assim como os Ovos Moles de Aveiro, o Papo de Anjo de Amarante também é feito com uma folha de hóstia recheada de creme de ovos, mas nesse caso o doce é fechado como se fosse um pastelzinho – e é coberto de açúcar confeiteiro.

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Papo de Anjo de Amarante

Onde comer: Pastelaria Briosa (Endereço: Largo da Portagem, 3000 – Coimbra).

11 – Pão de Ló

Esqueça o Pão de Ló que você conhece, aquele que partimos em camadas para fazer bolos recheados. O Pão de Ló português é uma iguaria que se come pura, uma massa cremosa cor de gema, molhadinha e maravilhosa.

Ah, e em vez de fazerem o bolo em uma forma, ele é assado em um papel – então fica com esse formato lindão aí da foto! Presente no café da manhã dos hotéis e nas pastelarias, onde você encontra até mesmo porções individuais do bolo.

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Pão de Ló

Em Portugal você encontra diversas versões do Pão de Ló, como o de Alfazeirão e o de Ovar, que não são completamente cozidos no centro (mas infelizmente esses eu não cheguei a encontrar por lá). Devem ser incríveis, hein? Preciso voltar ao país para um tour do Pão de Ló! 🙂

Onde comer: Confeitaria Peixinho (Rua de Coimbra, nº 9 – Aveiro).

12 – Queijada

A Queijada é um doce produzido em diversas regiões de Portugal. Que as queijadas de Coimbra, Estremoz e Évora não me ouçam, mas a Queijada de Sintra é certamente a mais famosa de todas.

Se você pensa que conhece a Queijada só por ter provado a queijadinha mineira, já vou adiantando: o doce português é completamente diferente do brasileiro.

A Queijada de Sintra tem uma massinha surpreendentemente crocante. E, por dentro, uma massa de queijo, ovos, farinha e canela – essa especiaria, aliás, dá o tom no sabor, e está bem presente. Necessário experimentar o doce em um tour gastronômico por Portugal!

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Queijada da Sapa

Onde comer: Fábrica das Verdadeiras Queijadas da Sapa (Endereço: Volta Duche, nº 12 – Sintra).

13 – Pastel de Laranja

Esse não é um doce famoso, e não está em nenhuma lista de doces imperdíveis, mas se você chegou até aqui, acho que confia um pouquinho na minha opinião, né? Então faça um favor a si mesmo e, quando for à Fábrica das Verdadeiras Queijadas da Sapa comprar a sua Queijada, peça também um Pastel de Laranja. Eu garanto que não irá se arrepender!

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Pastel de Laranja

Esse doce é molhadinho, tem um equilíbrio perfeito de açúcar e de todos os doces que eu experimentei nessa viagem, foi o que eu mais fiquei com vontade de repetir assim que terminei. Aiai, eu voltaria à Sintra só pra comer esse pastel de novo e mais nada!

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Pastel de Laranja

Onde comer: Fábrica das Verdadeiras Queijadas da Sapa (Endereço: Volta Duche, nº 12 – Sintra).

14 – Travesseiro de Sintra

E, já que estamos falando da pequena vila portuguesa de Sintra, é claro que eu não poderia deixar de mencionar o popular Travesseiro.

O doce foi criado na confeitaria Piriquita, fundada em 1862. Trabalhavam lá Amaro dos Santos, padeiro de profissão e sua mulher Constância Gomes, que recebeu do rei Dom Carlos I o apelido de “Piriquita”, devido a sua estatura.

Mas foi Constância Luísa Cunha, filha da fundadora, quem desenvolveu o Travesseiro, uma massa folhada muuuuito leve, recheada com um creme de ovos e amêndoas. Sabe aquelas massas que quando você dá uma mordida elas se dissolvem de tão leves? O Travesseiro é assim. Piriquita é atração turística imperdível!

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Travesseiro de Sintra

Onde comer: Pastelaria Piriquita (Endereço: Rua das Padarias, nº1/ Rua das Padarias, nº18 – Sintra).

15 – Pastel de Tentúgal

Pastel de Tentúgal: outro doce que foi eleito um dos favoritos da viagem, de Portugal, da vida!

A receita do sucesso é a seguinte: massa MUITO crocante (muito mesmo! tipo, imagina uma massa INDESCRITIVELMENTE crocante!) com MUITO recheio de doce de ovos. Ah, e esse doce não é tão doce, então você come o doce inteirinho e fica com aquele gostinho de “quero mais”, sabe?

O doce também recebe o selo de Indicação Geográfica Protegida (IGP), e só pode ser produzido em uma área delimitada como, por exemplo, nas vilas de Tentúgal e Montemor-o-Velho, nos arredores de Coimbra.

Aiai, que bom que paramos em Coimbra. Vai parar por lá também, né?

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Pastel de Tentúgal

Onde comer: Pastelaria Briosa (Endereço: Largo da Portagem, 3000 – Coimbra).

 

E aí, ficou com água na boca? Qual doce você mais ficou com vontade de provar? Comenta aqui em baixo! 😉

 

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1 comentário

  1. Maria Claudia diz

    Amei tudo!
    Pena que nao posso comer como voce!! Só de olhar engordo! 😂😂😂😂😂

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