Belém, Destinos no Brasil, Gastronomia
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Você só vai encontrar no Pará! #Parte4

Não para não, vem cá me dá a sua mão
Quero que sinta toda essa emoção.
Cavalo manco agora eu vou te ensinar
Isso e muito mais você só vai encontrar no Pará.

Trecho da música “Dançando Calypso”, da banda Calypso. 

Éeeeeeegua, essa música não é exagero! O Pará é um mundo à parte dentro do Brasil e tem uma infinidade de coisas que você realmente só encontra lá. Visitar Belém é um convite a conhecer, se apaixonar e se deixar levar por essa experiência gastronômica e cultural incrível.

Chegamos ao nosso último dia na cidade! Ahhhhhh =(

(Você já leu o que fizemos no primeiro, segundo e terceiro dias por lá?)

Nesse post você vai ler sobre: um doce passeio na Ilha do Combu, o Centro de Cultura Alimentar Iacitatá, o tradicional biscoito Monteiro Lopes, a deliciosa unha de caranguejo da Casa Camilo e o famoso tacacá da Dona Maria. Bora!

Ilha do Combu

Lembra do Médici, o meu amigo que foi nosso guia gastronômico em Belém (falei mais sobre ele no primeiro post)? É esse cara aí do centro da foto abaixo! 🙂 Falei pra ele que gostaria de fazer um passeio pela Ilha do Combu, e ele “agilizou” um barquinho para nos levar até lá.

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A ilha fica a 15 minutos de barco de Belém e é muito conhecida pela produção de açaí e de cacau. O caminho é bem tranquilo e rápido.  No trajeto, é possível observar um pouco do dia a dia das pessoas que vivem na ilha – cerca de 200 famílias moram lá atualmente. Muitos barcos passando, crianças tomando banho de rio e até um barco escolar.

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O mais legal foi sentir que a gente estava entrando na floresta Amazônica. Lembra daquelas árvores que eu falei que vimos no parque no dia anterior? Elas também estavam por aqui, ao lado de muitas palmeiras de açaí.

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Street River

Street River é a primeira galeria de arte a céu aberto da Amazônia. Em homenagem aos 400 anos de Belém, o artista visual Sebá Tapajós convidou grafiteiros da região para retratar a vida dos ribeirinhos.

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O condutor do nosso barco mora nessa casa! Linda, né?

Foram mais de 10 casas de palafita grafitadas com um tipo de tinta impermeável, que preserva a madeira.

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Toda a experiência da pintura das casas virou um documentário, que também fala sobre a vida dos moradores da ilha. Para conferir o trailer do filme, clique aqui

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Filha do Combu

A Ilha do Combu passou a ser ainda mais observada e explorada por turistas brasileiros e estrangeiros quando o chef Thiago Castanho começou a utilizar os chocolates produzidos pela Dona Nena, a Filha do Combu. Desde 2006, a Dona Nena comanda uma produção de cacau e chocolate amazônico 100% orgânico. Atualmente, até o chef Alex Atala usa os produtos dela em seu restaurante.

Logo na entrada da propriedade já dá pra ver as sementes de cacau terminando de secar no sol.

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Dona Nena é natural da ilha e começou seu envolvimento com a cultura do cacau como produtora rural, colhendo o fruto e secando as amêndoas para vender a atravessadores. Percebendo que poderia ir mais longe, em 2006 resgatou uma receita da sabedoria ribeirinha, processando as sementes em um moedor de carne para produzir a barrinha rústica de 100% cacau.

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Aqui você pode ver todo o processo de produção artesanal do chocolate:

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Na “Casa do Chocolate”, a lojinha, você encontra as barrinhas de chocolate, nibs de cacau, licor de cacau, entre outros produtos.

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Mas o mais importante: é lá que você encontra o famoso brigadeiro da Filha do Combú (R$5)!

Gente, vocês podem até não acreditar, depois de verem tanta comilança por esse blog, mas eu não sou muito chegada em doces…

Doces muito doces, estilo brigadeiro, nunca me chamaram muito a atenção. Eu como MEIO e já me sinto satisfeita – às vezes, nem isso. Em festinhas de aniversário eu sou #teamsalgadinhos.

Mas esse brigadeiro…. roubou o meu coração! Os nibs em volta tiram um pouco da doçura do leite condensado e deixam o brigadeiro muito gostoso. Eu comi DOIS!

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O melhor brigadeiro do mundo!

Para quem deseja conhecer melhor a fábrica e a fazenda de chocolates, são oferecidos passeios guiados com trilhas, café da manhã, degustação e translados inclusos. Você pode agendar a visita pelo telefone (91) 993888885.

Os produtos da Dona Nena também podem ser adquiridos nos seguintes lugares:

Ilha do Combu: no restaurante Saldosa Maloca.

Belém: na Ornatos Embalagens (Rua Aristides Lobo, 364), e nos restaurantes Remanso do Peixe (Conj. Célso Malcher, 64) e Remanso do Bosque (Av. Rômulo Maiorana, 2350).

Os barcos para a Ilha do Combú partem diariamente do porto na Praça Princesa Isabel (Av. Bernardo Sayão, com a Av. Alcindo Cacela, no bairro Condor). Pagamos R$ 70 para o passeio inteiro, para quatro pessoas.

Iacitatá Centro de Cultura Alimentar

Algumas semanas antes de viajarmos, o programa “Tempero de Família”, do GNT, estava apresentando uma série de episódios sobre Belém. Um deles me chamou muito a atenção: uma moça com o rosto pintado defendia que era muito estranho que os próprios brasileiros chamassem a comida amazônica de “exótica”. Essa moça era Tainá Marajoara, ativista alimentar e dona do Iacitatá. “Exótico não é o que é daqui, exótico é o que vem de fora”, ela salientou. Achei isso muito forte e bonito quando ouvi.

Pois bem, saindo da Ilha do Combu, o Médici falou: vamos almoçar no Iacitatá! Quando me dei conta de que a mulher que eu tinha ouvido falar aquelas coisas tão interessantes sobre a cultura alimentar seria a cozinheira do meu almoço, fiquei muito animada! 🙂

O Iacitatá (localizado na Travessa Padre Champagnat, 284 – em frente à praça Dom Frei caetano Brandão) se define como “um espaço de circulação da produção da cultura alimentar e produtos da sociobiodiversidade”. Foram a Tainá e o Carlos Ruffel, seu companheiro e também cozinheiro da casa, que nos receberam lá.

Almoçar no Iacitatá é uma aula! A Tainá explicou a origem de cada prato que nos serviu, falou os nomes dos produtores responsáveis pelos ingredientes e também contou com orgulho que não servia nada industrializado, nem com agrotóxicos.

Ah… e além de saudável, é tudo muito gostoso!

Começamos com o Pavulagem: pão de abaeté com queijo do Marajó e tacacarana (jambu, chicória, alfavaca e tucupi) / (R$18).

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Depois pedimos um Guereré: caldo de tucupi, jambu, chicória, alfavaca e cipó d’álho fervido com carcaça de peixe (R$12).

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Alimentação típica dos vaqueiros dos campos do marajó : esse é o Frito do Vaqueiro – carne de búfalo preparada na própria banha, só com sal. (R$ 22)

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O porco defumado pelas mulheres da Colônia Chicano (R$52) veio acompanhado de lundu (arroz e feijão com linguiça Chicano), e micau (banana cozida e amassada tipo purê). Na saladinha, provei pela primeira vez a fruta pupunha (é essa amarelinha!).

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E finalmente ela: a maniçoba!

A gente já tinha comido bolinho e linguiça de maniçoba, mas ainda não tínhamos provado o prato em si. O que eu tenho para dizer para você é: escolhemos o melhor lugar para isso!

No Iacitatá, a maniçoba é feita com técnicas ancestrais, em parceria com a Colônia Chicano. As carnes de porco são moqueadas e defumadas em talos de muruci, taperebá e canela, em seguida cozidas à lenha com folhas de mandioca (maniva) durante 7 dias.

Tava maaaaravilhosa! Foi o meu prato favorito do dia. (R$ 22 pequena, R$35 média – a da foto)

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De sobremesa, um bolinho de chocolate sem glúten, delicioso! (Esqueci de anotar o preço desse… 🙁 )

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Ah, o espaço também vende alimentos de produtores da região. Você encontra lá farinhas, chocolates, arroz biodinâmico, entre outras coisinhas.

Foi uma experiência única, com comida de verdade, bem feita, com origem sustentável e local, e de muita qualidade.

No Iacitatá, cozinhar é um ato revolucionário! <3

Biscoito Monteiro Lopes na Doux du Jour

“Poderia ter sido feito em qualquer lugar do mundo, mas foi feito em Belém.”

Essa é uma frase clássica que os belenenses usam quando falam do biscoito Monteiro Lopes, um patrimônio local.

O doce, que tem nome e sobrenome, é uma homenagem à família que criou a receita. Dizem que lá pelos anos de 1850, existiam duas padarias concorrentes no Ver-o-Peso. Uma era propriedade de Manuel Monteiro, e a outra de Antônio Lopes. Após a morte dos pais, os filhos de ambos se casaram e juntaram os sobrenomes no doce que se tornaria um clássico da cidade.

O Médici nos indicou a confeitaria Doux du Jour (Av. Conselheiro Furtado, 1163), e gostamos bastante, mas você também encontra na maioria das padarias da cidade.

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O biscoito é feito com uma massa bem amanteigada e crocante, e tem uma cobertura de chocolate. Cada pacotinho desses, com quatro unidades, custou R$5.

Unha de Caranguejo na Casa Camilo

É como se fosse uma coxinha… mas de carne de caranguejo. Tem como dar errado? Não. Tem como ser perfeita? Tem – é só ir até a Casa Camilo, mais um clássico de Belém.

O tempero desse salgado… eu não consigo nem explicar, e não consegui entender quando comi, é simplesmente de-li-ci-o-so!

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Fica um pouco fora do caminho, mas vale a pena ir até lá só pra isso. (Se eu não me engano, custou R$5).

A Casa Camilo fica localizada na Travessa Curuzú, 2005.

Amazon Beer

Ainda demos mais uma passadinha na Amazon Beer para nos despedirmos das deliciosas bebidas da casa feitas com frutos regionais. Eu bebi uma cervejinha de bacuri.

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E o Vini foi de caipirinha de cupuaçu.

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Já contei pra vocês sobre o pôr do sol da Estação das Docas, né? Vejam como é lindo!

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Pôr do sol na Baía do Guajará

Tacacá da Dona Maria

Bem, aqui pela primeira vez saí do roteiro gastronômico que o Médici tinha me indicado, mas eu precisava experimentar o tão famoso tacacá da Dona Maria (R$13). Ela aparece nos primeiros lugares do Tripadvisor e é o tacacá mais conhecido da cidade.

Bem… o que eu aprendi foi: a confiar no meu amigo! hehehe

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O tacacá tem muito gosto de Ajinomoto, sabe? Achei um sabor bem artificial.

A gente ainda deu outra chance pra Dona Maria, pedindo um vatapá (R$13)…. que também foi decepcionante. Tava até gostoso, mas tava frio. Sei lá, na minha opinião receber comida fria (das que deveriam ser quentes) é um pouco “broxante”… heheh

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Enfim, esse é um lugar que eu não recomendo. Quer provar tacacá bom? Vai no A Portinha ou no Cesário Alvim! Quer comer um bom vatapá? Vai no Lá em Casa! 😉

Hora de voltar

Chegamos no aeroporto lá pelas 3h da manhã, cansadíssimos. Mas né… precisamos aproveitar cada segundo… olha ali uma sorveteria! 😀

Fomos na Palatare Sorvetes Regionais mas, segundo o rapaz que trabalha no aeroporto, lá eles vendem os sorvetes fabricados pela Cairu. Em nossos últimos momentos na cidade descobri o sorvete de graviola, o meu favorito da vida. Era madrugada, mas eu comi inteirinha essa bola (R$8) – e depois pedi mais uma (não me julguem!).

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O Médici nos comentou um dia: você reconhece um paraense no aeroporto, em qualquer lugar do mundo, se ver alguém andando com um isoporzinho. Achei muito engraçado isso, foi a primeira vez que vi nas lojas de aeroporto, ao lado das malas, muitos isopores para vender. Paraense que viaja, leva junto um pouco da sua cultura gastronômica. <3

Eu super entendo eles, sabe. Imagina acostumar a comer tanta coisa boa e não encontrar em nenhum outro lugar pra vender? O tucupi que eu trouxe de lá já tá acabando e eu ainda não sei como viver sem ele… (acho até que já tá na hora de voltar! 🙂 )

Meu povo vem ver as coisas do meu Pará
A minha cidade é linda é mais que um poema
Me orgulho em dizer que isso é Belém
É Belém do Pará, Carimbó, Síria, Tucupi, Tacacá, Açaí na tigela
É Belém de “Fafá”, Baía do Guajará, Ilha do Marajó, ai que coisa mais bela!

Trecho da música “Pará Belém”, da banda Calypso.

E aí, o que você achou do nosso tour turístico-gastronômico em Belém do Pará? Faltou algum lugar pra gente conhecer? Comenta aqui em baixo! 😉

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