Belém, Destinos no Brasil, Gastronomia
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A Belém dos meus encantos #Parte2

Lá vem Belém,
a Belém dos meus encantos,
dos terreiros, Mães de Santo,
das crendices, do pajé.
E vem que vem,
com sobrados de azulejo,
vigilengas, Ver-o-Peso,
na enchente da maré.”

Trecho do poema “A Belém dos meus encantos”, de Sylvia Helena Tocantins.

Hoje vou contar tudo que fizemos em nosso segundo dia na capital paraense (para ler a primeira parte do tour, clique aqui). Nesse post você vai ler sobre: Mercado Ver-O-Peso, Praça Dom Frei Caetano BrandãoTacacá A PortinhaMangal das Garças e Remanso do Bosque. Vem!

Mercado Ver-o-Peso

Começamos o segundo dia visitando o lugar que eu mais queria conhecer em Belém: o mercado Ver-o-Peso.

A história do Ver-o-Peso iniciou em 1925, no antigo Porto do Pirí. Inicialmente era apenas um posto de aferição de mercadorias, a Casa de “Haver o Peso”, já que Belém era o maior depósito comercial da região. Em 1899, iniciou a construção do Mercado de Ferro (atualmente o Mercado de Peixe), e em 1901 ele foi inaugurado, tornando-se um dos mercados públicos mais antigos do Brasil. O conjunto arquitetônico e paisagístico foi reconhecido e tombado pelo IPHAN em 1977.

Atualmente, o Ver-o-Peso é considerado a maior feira ao ar livre da América Latina, um ponto turístico, cultural e econômico da cidade.

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O Ver-o-Peso fica localizado às margens da baía do Guajará, e oferece aos visitantes os mais variados sabores, aromas e sons. É como uma experiencia sensorial mesmo. Se você não mora na região, vai ficar surpreso com a quantidade de coisas diferentes que tem por lá. Dividido por setores (com plaquinhas que auxiliam a visitação), o mercado reúne centenas de barracas de frutas, ervas medicinais, temperos, doces, essências, artesanato, entre outras coisas.

Lembra de todas aquelas farinhas que eu falei no primeiro post?

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Uma das áreas mais famosas é a de preparos com ervas amazônicas, onde são vendidos banhos cheirosos, perfumes e misturas medicinais. A Beth Cheirosinha é uma das expositoras mais famosas do mercado.

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O setor de camarões secos é de encher os olhos para uma fanática por camarão, como eu.

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Há ainda o setor de polpas de frutas (prontinhas para rechear bombons, virarem suco ou geleia), frutas, legumes e artesanato. E, claro, tem muita castanha-do-pará!

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Os boxes de peixes e frutos do mar ficam localizados dentro do tradicional prédio de ferro azul. Passeando, por incrível que pareça, não sentimos aquele cheiro forte de peixe típico dos mercados.

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Ao final do passeio, você encontra os barquinhos dos pescadores, que trazem diariamente todos os peixes frescos do mercado. O visual, com as casinhas coloridas ao fundo, é muito bonito.

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Box da Lucia

Para ter uma experiência autêntica no mercado, sugiro almoçar por lá na ala das “refeições”. Perguntei para o Médici (Sim, de novo ele! Mas como eu não confiaria no maior conhecedor de restaurantes de Belém?) qual era o lugar mais “quente”, e ele me indicou o Box da Lucia  (nº 37/38). De cara, você já vê que é boa: é uma das bancas mais cheias!

Com as mesas todas lotadas, sentamos no balcão e pedimos as duas sugestões que o Médici nos deu. Pra começar, meia porção de camarão à milanesa (R$30), que veio bem temperadinho e acompanhado de saladinha e de um molho à base de coentro.  Delícia demais!

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Depois, pedimos um filé de dourada à milanesa, que veio acompanhado de feijão e arroz cozidos juntos e farofa (R$40, para duas pessoas). Na foto não dá pra ter ideia do tamanho dos pratos. Os dois vieram muito bem servidos, mesmo!

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Saindo do Ver-o-Peso, tivemos que dar uma refrescadinha na pousada (não há quem aguente tanta comilança a uma temperatura de mais ou menos 35º, sem dar uma descansada). Mas importante ressaltar aqui: tava quente, sim, mas eu achei que eu iria passar muito mais calor em Belém. A cidade não é abafada, tem bastante vento.

Praça Dom Frei Caetano Brandão

A cidade de Belém foi fundada, em 1616, a partir do Largo da Matriz, atual Praça Dom Frei Caetano Brandão. A praça fica localizada no centro histórico de Belém, também conhceido como “cidade velha”, bem próxima do Ver-o-Peso.

A primeira construção da cidade foi o Forte do Presépio, atualmente conhecido como Forte do Castelo. No local, funciona um museu com dois ciclos expositivos: o “Sítio Histórico da Fundação de Belém”, composto pela própria edificação com seus vestígios arquitetônicos e artilharia militar; e o “Museu do Encontro”, que versa sobre o processo de colonização portuguesa na Amazônia.

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Forte do Castelo

O ingresso para visitação custa R$ 6. Às terças-feiras a visitação é gratuita. Tentamos visitar o local, mas chegamos um pouco depois do horário de fechamento – o horário de visitação é de terça a sexta-feira, das 10h às 15h, e aos sábados, domingos e feriados, das 9h às 13h.

Descendo à direita do forte, você ainda tem uma bela vista da Baía do Guajará e do Ver-o-Peso., um lugar bem gostoso para ver o pôr do sol.

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Para ir até lá, você não precisa pagar, esse espaço não está dentro do forte.

Na praça, você também encontra a Casa das Onze Janelas, o mais importante museu de arte contemporânea da cidade. Funciona nos mesmos horários do Forte do Castelo, mas a entrada aqui custa R$ 4.

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Casa das Onze Janelas

Por lá você também encontra a Catedral Metropolitana de Belém, também conhecida como catedral da Sé. A igreja começou a ser construída em 1749 e é muito bonita. Vale a pena entrar para ver por dentro também.

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Para aproveitar o clima “cenário de novela” da praça, comprei um picolé de taperebá (fruta também conhecida como cajá em alguns lugares). Super cremoso!

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Seguimos caminhando pela “cidade velha” em busca do próximo destino, aproveitando a bela arquitetura paraense, que tem bastante influência portuguesa principalmente nessa região.

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Oi, gato!

A Portinha

O segundo tacacá da viagem foi tomado (sim, lá eles falam “tomar” para o consumo de tacacá) no A Portinha. Se você não for atento, o local pode passar despercebido – é realmente só uma portinha! O local tem várias plaquinhas de destaque do Tripadvisor da Veja Comer&Beber, e não decepcionou!

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Na realidade, foi o nosso favorito (custou R$ 15).

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Tacacá A Portinha

A lanchonete também é famosa pelos seus salgados, como a esfiha de Pato com jambu e tucupi e o embrulhadinho de pirarucu com jambu e queijo cuia, mas não chegamos a experimentar.

A Portinha abre somente nas sextas, sábados e domingos, às 17h.

Mangal das Garças

A mais ou menos uns 20 minutos de caminhada d’A Portinha, fica localizado o belo Mangal das Garças. O local é como um jardim botânico com muitas (mas muitas mesmo!) garças, além de outros pássaros.

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MUITAS garças!

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São flores? Não, são pássaros!

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Tem até flamingo!

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Quem é você na fila do buffet?

O espaço também conta com um mirante, mas entramos lá faltando poucos minutos para fechar. Entre subir o mirante e passear pelo parque, preferimos a segunda opção.

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Você viu a garça em cima da árvore?

O Mangal das Garças foi uma bela surpresa no roteiro do dia. É realmente muito lindo, super recomendo o passeio. Ah, e a entrada é gratuíta!

O local conta ainda com um restaurante que (segundo o Tripadvisor – e o Médici) é muito bom, mas não chegamos a conhecer.

Voltamos para a pousada porque já estava na hora de a gente se arrumar para um dos jantares mais esperados da viagem…

Remanso do Bosque

Imagina pegar todos esses ingredientes amazônicos maravilhosos e reinventar a gastronomia paraense? É mais ou menos isso que o premiado chef Thiago Castanho faz. Thiago é quem comanda a cozinha do Remanso do Bosque, ao lado do irmão Felipe.O gosto pela culinária é de família: os dois são filhos do Francisco, criador do tradicional restaurante Remanso do Peixe.

As criações de Thiago unem a cozinha tradicional paraense a inspirações de outras culturas, com muita técnica e criatividade. Além disso, o chef mantém um aprofundado relacionamento com os micro produtores da região, sempre pesquisando novos ingredientes.

Entenderam por que eu tava sonhando tanto com esse jantar? 🙂

Bom, começamos “os trabalhos” com o Tacacachaça, drink de cachaça de jambu, maracujá, bourbon e pisco. Servido na cuia, em alusão ao tacacá.

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De entrada, primeiro vieram os guiozas de carne com jambu, molho de tucupi, melaço e shoyu. Esse caldinho é daqueles que só de pensar dá água na boca. Bom demais!

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Também pedimos a linguiça artesanal de maniçoba com molho de cerveja preta (R$38), que veio acompanhada de um pão de fermentação natural. Gente, ESSE MOLHO. Chegamos a pedir mais uma porção de pães pra poder “xuxar” ali. Acho que foi o melhor prato da noite.

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De principal, o clássico da casa: filhote assado na brasa (R$132, serve duas pessoas). O sabor do peixe tostadinho, junto com essa saladinha de feijão caupi, tava incrível. Confesso que pra mim a macaxeira (aipim!) poderia estar mais “desmanchando”, mas tava bem gostosa, passada na manteiga.

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Dificilmente a gente pede duas sobremesas, mas dessa vez foi impossível resistir: todas pareciam deliciosas!

Pedimos a Panna Cotta de Baunilha amazônica com calda de cupuaçu, servida com paçoca de rapadura e coco fresco ralado (R$22). Amo panna cotta e essa tava incrível!

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E também “O Bacuri”, uma sobremesa feita com bacuri fresco, tuille de tapioca e sagu de hibisco (R$20). Bacuri é demaaaais, gente! Quem for a Belém tem que provar NO MÍNIMO o suco!

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E então, o que estão achando dos posts de Belém do Pará? Comenta aqui em baixo! 🙂

“Lá vem Belém”

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